paulosampaioProf. Paulo Sergio Sampaio – Graduado em Matemática Bacharelado com ênfase em Sistemas de Informação, especialista em Gestão de Projetos pela Fundação Carlos Alberto Vanzolini – USP. Atualmente, é docente no curso de graduação da FIAP. Docente na graduação da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Metodista. Professor do curso de Pós-graduação Lato Sensu MBA em Gerenciamento de Projetos do Centro Universitário Fundação de Santo André. Certificado PMP (Project Management Professional) pelo PMI (Project Management Institute) desde Setembro/2005. Mestre em Comunicação Social, pela Universidade Metodista. Membro do grupo de pesquisa “Tecnologias de Informação e Comunicação para a promoção da cidadania” – URBETIC. E-mail: paulo.sampaio@metodista.br. Currículo Lattes http://lattes.cnpq.br/8964573995667466


 

REA Brasil: Quando e como descobriu os Recursos Educacionais Abertos?

Paulo Sampaio: Por meio de uma disciplina no mestrado em Comunicação Social. O nome dessa disciplina é Direitos à Comunicação e dentre muitos assuntos tratamos de Direitos Autorais (Propriedade Intelectual), Produção Colaborativa, Crowdsourcing e Licenciamento Livre do tipo Commons, este último que me levou a descobrir inicialmente sobre o OER (Open Educational Resources). Então comecei a ler sobre o assunto em uma publicação da OECD (Organisation for Economic Cooperation and Development) e me interessei mais sobre o OER. Até descobrir que havia o termo REA no Brasil extremamente alinhado com os preceitos constantes nas literaturas estrangeiras, bem como no portal da UNESCO.

REA Brasil: Como surgiu a motivação para estudar REA no mestrado?

Paulo Sampaio: A partir da leitura da obra “The wealth of Networks: How Social Production Transforms Markets and Freedom” de Yochai Benkler (2006). A forma como ele definiu muito bem a produção colaborativa e as inúmeras possibilidades de compartilhamento de conteúdo aberto me motivaram a discorrer sobre o assunto, obviamente sob a ótica da Comunicação Social. Depois descobri outras literaturas também em Português (Cultura Digital Br, site EducaDigital, Sérgio Amadeu, Bianca Santana, Carolina Rossini, etc.) além de outros livros, entrevistas e artigos que me colocaram em contato com o REA e outras descobertas fantásticas sobre projetos de leis em aprovação, iniciativas de algumas Instituições privadas e públicas como repositórios de dados e sites recheados de produção colaborativa e compartilhamento de conteúdo aberto no Brasil.

REA Brasil:  Qual é o foco do seu estudo e quais são principais descobertas realizadas?

Paulo Sampaio: Apesar de ter discorrido bastante sobre Direitos à Comunicação com base na DUDH (Declaração Universal dos Direitos Humanos) o foco central é o nível de conhecimento sobre o movimento REA e o Licenciamento Livre do tipo Commons por parte dos docentes da Instituição objeto de estudo (pesquisa a campo), ou seja, a UMESP. Indo ao encontro da hipótese inicialmente formulada, foi constatado por meio de base de dados científica (resultados da pesquisa compilados de questionários respondidos pelos docentes) de que, apesar de desconhecerm especificamente sobre o movimento REA e sobre as práticas de colaborativismo e compartilhamento de conteúdo aberto pelo Licenciamento Livre, há uma grande simpatia (ou até mesmo intenção) à adesão das práticas apregoadas pelo movimento. Não haveriam restrições significativas em aderir à essas práticas, mesmo desconhecendo os termos técnicos do Commons ou sobre as iniciativas do movimento REA. Outro ponto que me chamou bastante atenção é que houve uma opinião quase que unânime (95%) por parte do corpo docente a respeito da reformulação da lei atual sobre os Direitos Autorias no Brasil (9.610/98) para inclusão dos termos e práticas relacionados ao REA e ao Creative Commons.

Aproveito o espaço dessa pergunta para manifestar a dificuldade que tive em obter adesão à pesquisa por parte do corpo docente. Em uma conversa informal com um membro do Comitê de Ética em Pesquisa, reclamei da baixa adesão por parte dos supostos participantes. Ainda mais por conta de trabalhar com um público, na sua maioria, também pesquisadores. Ela simplesmente me disse que uma vez colocado na posição de ‘sujeito’ da pesquisa a coisa muda de figura. Mais ou menos o que acontece quando professores se tornam alunos em alguma instância e têm as mesmas atitudes dos próprios alunos aos quais reclamam… Tive mesmo um problema grande quanto isso. Não só pelo tempo que se estendeu como aos ajustes que tive que fazer na metodologia aplicada, tudo registrado na dissertação.

REA Brasil: Qual foi o feedback dos membros da banca?

Paulo Sampaio: Diria que foi muito positivo. É verdade que me sabatinaram por 2,5 horas sem piedade. Acho que queriam ter certeza se eu sabia do que estava falando. Me fizeram questionamentos de cunho conceitual, quando tive que tomar certa postura e formular opiniões, meio que debatendo com os próprios autores aos quais escolhi pra me acompanharem nessa viagem. Apesar de se tratar de um mestrado em Comunicação Social não houve como não tocar em diversos assuntos do ponto de vista da Educação, visto que uma participante é especialista nesse assunto, profª Dra. Roseli Fischmann. Me disseram que os resultados da pesquisa e da dissertação podem sim contribuir com a comunidade acadêmica no intuito de fomento e incentivo às práticas colaborativas e de compartilhamento de conteúdo aberto, bem como disseminar o conhecimento sobre o movimento REA e o Licenciamento Livre do tipo Commons.

REA Brasil: Como o seu estudo pode contribuir para a adoção de REA na universidade?

Paulo Sampaio: Acredito que o estudo por si só pode contribuir pouco. É verdade que muitos docentes ficaram intrigados com os termos presentes no questionário e foram pesquisar por conta própria posteriormente. O que não invalidou a pesquisa, pois boa parte foi respondida de maneira off line e estática, sem muita chance de pesquisa anterior para responder às questões, o que no meu ponto de vista manteve a integridade das respostas. O que falta na verdade são mais chances de divulgação e disseminação das informações contidas não só nos resultados da pesquisa, mas também aos termos e práticas empregadas. Na minha conclusão faço essa sugestão. O treinamento e a capacitação não resolve tudo, mas é um bom início e peça-chave pra se conseguir bons resultados.

REA Brasil: Você tem experiências práticas de criação/produção de REA? Quais?

Paulo Sampaio: Ao bem da verdade posso considerar minha dissertação como minha primeira contribuição para um conteúdo pertinente ao REA. Registrei-a no site do Creative Commons como 3.0 e não tenho nenhuma restrição em torná-la pública e compartilhada, aliás muito pelo contrário. Informação só se torna conhecimento se é divulgada, disseminada e assimilada pelos interessados.

REA Brasil: Você acredita que a universidade precisa de políticas para REA?

Paulo Sampaio: Acredito sim. Não só a Universidade, como nós carecemos também de Políticas Públicas de peso. O veto do Alckmin ao projeto de lei 989/2011 do Deputado Simão Pedro foi um golpe muito duro. Era a chance de tornar públicos os termos e conceitos pertinentes ao REA e ao Commons de maneira mais assertiva e precisa. Um evento negativo desse regride e muito os avanços até então duramente conquistados, principalmente no Brasil. Investiguei também essas iniciativas em outros países, como a África, Inglaterra e EUA. Existem sim muitas barreiras, muitas delas mais de ordem econômica do que logística ou legal. As Políticas Públicas podem vir a reforçar as iniciativas do movimento, assim como fomentar (e por que não?) outros modelos de negócio e até financeiros de gestão de conteúdo por parte das Instituições de Ensino. Tem um ‘manual do OER’ escrito por um cara chamado Butcher, na África, que ilustra bem isso. Depois de estudar essa literatura descobri que estava disponível no site do REA Brasil. Resumindo, como em toda Instituição na maioria das vezes essas iniciativas precisam ser ‘cascateadas’ pela alta direção para terem o efeito desejado. Quem precisa ‘comprar’ primeiramente a ideia é alta administração.

REA Brasil: Quais recomendações você daria aos docentes que desejam iniciar suas pesquisas em REA?

Paulo Sampaio: Acesso à literatura específica (o site do REA Brasil é um ótimo ponto de partida). Participar de eventos, simpósios, congressos e tudo mais que houver disponível. Participei de um evento na casa da Cultura Digital SP em Maio de 2012 sobre o REA que me foi de grande valia. As palestras, debates, apresentações e conversas descontraídas com os demais participantes expandiram significativamente não só minha visão como minha vontade de estudar, investigar e poder contribuir com o tema. Termos que até então inexistiam pra mim tornaram-se familiares. É muito bom poder expressar uma opinião sobre um tema que lhe agrada e lhe propõe afinidades. Investigar quais são as correlações que existem ao redor do mundo, os eventos que contribuem com tais iniciativas. Aprender com a história dos outros não deixa de ser em certas circunstâncias extremamente produtivo.

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SAMPAIO, P.S. (2013). Comunicação e compartilhamento de conteúdo: o uso de recursos educacionais abertos por docentes da UMESP. (Dissertação de Mestrado). Universidade Metodista de São Paulo, Brasil.

No âmbito do Direito à Comunicação, dos Direitos Humanos e da discussão a respeito dos Direitos Autorais sobre obras principalmente literárias e científicas, este trabalho tem como principal objetivo o desenvolvimento e aplicação de uma pesquisa de campo de caráter exploratório. Ele busca estabelecer um mapeamento do uso das práticas de produção e compartilhamento de conteúdo aberto por parte do corpo docente da UMESP, por meio do uso de licenciamento livre do tipo Commons e seguindo os preceitos apregoados pelo movimento dos Recursos Educacionais Abertos (REA). Portanto, o método estatístico utilizado foi o de amostragem probabilística aleatória simples utilizando-se de questionário com perguntas fechadas, possibilitando a elaboração de uma base de dados consistente que foi explorada no intuito de confirmar a hipótese inicialmente formulada, além de contemplar outras inferências não menos interessantes. A principal conclusão apresentada é que, mesmo que não seja de conhecimento da maioria do corpo docente da UMESP sobre o compartilhamento de conteúdo sob licenciamento livre e nem tampouco sobre o movimento REA, não existem restrições significativas quanto à adesão a tais práticas.

Acesse: http://ibict.metodista.br/tedeSimplificado/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=3301

2 Comments
  1. Regiane Bastos

    Li a entrevista e gostei muito!
    Para um professor muito dedicado à comunicação e à educação, deixo aqui mais uma vez, meus Parabéns como reconhecimento de seu grande trabalho, que o tornou Mestre em Comunicação!

  2. Parabéns professor pela sua dedicação!

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