Potencialidades dos REA na Educação Formal em tempos de Cibercultura

Vem aí mais literatura sobre REA em português!

A comunidade REA Brasil comunica a Defesa Pública da Dissertação de Mestrado de Daniel Pinheiro, “Potencialidades dos Recursos Educacionais Abertos na Educação Formal em tempos de Cibercultura”.  A dissertação foi orientada pelo Prof. Dr. Nelson Pretto e será defendida dia 10/04 às 10h.

Resumo

Esta pesquisa de mestrado investigou as potencialidades dos Recursos Educacionais Abertos (REA) para a educação formal considerando o contexto da cibercultura. Para dar conta deste objetivo, optou-se por atribuir um caráter bibliográfico à pesquisa tendo em vista a relevante produção desenvolvida sobre os temas que tangenciam a discussão mas, que ao mesmo tempo, revelam a carência por experiências de análise que os relacionem. Ao caracterizar o movimento pelos REA, com ênfase no caso brasileiro, a pesquisa identifica uma perspectiva educacional que emerge nestes tempos de cibercultura e é baseada no modelo da ética hacker e na filosofia do software livre. Tal perspectiva é a de fomento às “novas educações” que, conforme analisado na pesquisa, pode viabilizar o desenvolvimento de REA no âmbito da educação formal algo que favorece o aparecimento de potencialidades destes recursos – a colaboração, a autoria e o estabelecimento/fortalecimento de redes. A pesquisa conclui que o movimento global pelos REA e os processos desencadeados quando da sua criação/utilização nos espaços escolares, podem instaurar dinâmicas capazes de contribuir para que a escola, principal representante da educação formal, possa realizar sua função social na contemporaneidade.

Rumos do decreto REA no Município de São Paulo

O projeto REA.br vem trabalhando desde 2008 para transformar a política pública de acesso a recursos educacionais financiados com orçamento público. Em 2011, conseguimos uma grande vitória quando o então Secretário Municipal de Educação de São Paulo, Alexandre Schneider, instituiu política pública de REA no município via decreto nº 52.681, de 26 de setembro de 2011 que dispõe sobre o licenciamento obrigatório das obras intelectuais produzidas com objetivos educacionais, pedagógicos e afins, no âmbito da rede pública municipal de ensino.

Em suma, todo e qualquer recurso e material com “objetivos educacionais, pedagógicos e afins” (i) produzido diretamente pela SME, o que inclui os trabalhos de seus funcionários públicos quando no exercício de suas funções, ou (ii) resultados de todo e qualquer tipo de relação contratual estabelecida pela SME para produção de tais materiais (consultores, resultantes de licitações, ou outras formas de contratação e compra de materiais didáticos, pedagógicos etc.) deverão ser licenciados abertamente e por isso serem considerados recursos educacionais abertos.

Consonante com a agenda REA, a gestão do atual prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, manteve o decreto, entretanto, com a reformulação do site da prefeitura municipal notamos algumas discrepâncias de informações do site atual e o portal da Secretaria Municipal de Educação. O site da prefeitura diz que “os documentos originais só poderão ser reproduzidos em parte, nos termos do artigo 46, da Lei 9.610/98, exceto materiais de domínio público” (veja aqui). Porém, quando escolhemos as opções de destaque do acervo, somos redirecionados ao portal da SME que traz o selo do Creative Commons (CC-BY-NC-SA). Dessa forma, todos esses materiais depositados no site da Secretaria Municipal de Educação podem ser usados, copiados e redistribuídos em qualquer suporte ou formato, podem também ser adaptados, desde que haja atribuição da autoria, uso não comercial e compartilhamento pela mesma licença.

Como não temos dados concretos do investimento feito em REA desde a publicação do decreto, solicitamos via Lei de Acesso a Informação esses números, através de dois pedidos distintos para fins e comparação e notamos que parece que nem tudo o que é comprado está retornando para a sociedade como um REA. Veja abaixo os pedidos:

  1. Quanto a Secretaria de Educação gastou na compra ou produção de livros didáticos licenciados em Creative Commons (CC-BY-NC-SA), conforme decreto municipal nº 52.681 de 26 de setembro de 2011, no exercício de setembro de 2011 a abril de 2014? É possível quantificar por ano?
  2. Quanto a Secretaria de Educação gastou na compra e/ou produção de livros didáticos no exercício de setembro de 2011 a abril de 2014? É possível quantificar por ano?

Recebemos uma planilha com os dados de setembro de 2011 a setembro 2013 com o investimento realizado em material licenciado.

Constatamos que os livros English Adventure 3 e 4 não estão depositados no site da prefeitura conforme prevê o decreto e para termos um bom respaldo para poder auxiliar a SME, solicitamos no dia 11/06/2014, via recurso, o contrato de prestação de serviço firmado entre prefeitura e a Editora Pearson/Longman para a compra dos ENGLISH Adventure 3 e 4, e no momento, aguardamos essa resposta.

Já para o pedido mais geral, sem especificar licenciamento aberto, recebemos um arquivo de texto que contém os livros citados acima e alguns outros materiais.

Lembramos que com este decreto, um dos primeiros do tipo no mundo, a Prefeitura de São Paulo, por meio de sua SME, inova ao sair da lógica de “todos os direitos reservados”, para uma lógica de “alguns direitos reservados”, respeitando o autor de tais obras ao garantir a atribuição e o devido pagamento quando de sua contratação inicial (salário no caso dos funcionários públicos e pagamentos por compras ou prestações de serviços no caso de contratações) e determinando quais os usos permitidos e quais as restrições e condições que modelam tal uso.

É nosso desejo que as discrepâncias constatadas até o momento sejam corrigidas/esclarecidas e nós do projeto REA.br e também a comunidade REA Brasil podemos e desejamos ajudar nesse processo.

Mapeamento de REA para o Ensino Básico na América Latina

Projeto de mapeamento de Recursos Educacionais Abertos (REA) em português e espanhol para ensino básico na América Latina recebe 25 mil dólares da Fundação Hewlett para iniciar desenvolvimento. O grupo é coordenado por Tel Amiel (NIED/Unicamp) em parceria com Open Knowledge Brasil, Instituto Educadigital/REA.br e EPSOL, no Equador.


 O projeto

Inicialmente, haverá duas áreas de atuação, sendo o objetivo da primeira delas fornecer um mapa de até 5 dentre as mais relevantes iniciativas relacionadas a REA em cada um dos seguintes 24 países: Argentina, Chile, Guatemala, Colômbia, Guiana, México, Belize, Haiti, Nicarágua, Suriname, Bolívia, Costa Rica, El Salvador, Honduras, Panamá, Peru, Brasil, Cuba, Jamaica, Paraguai, Venezuela, República Dominicana, Equador e Uruguai.

Um estudo profundo de cada iniciativa será conduzido para obter informações sobre o número de recursos que possuem, o tipo de descrição (registros e metadados), o software utilizado, os serviços técnicos oferecidos (Search, RSS, OAI-PMH, SQI API services), a origem dos recursos, dentre outros. Ou seja, será elaborada uma pesquisa sistêmica com informações descritivas importantes.

O conteúdo das iniciativas pesquisadas consiste no chamado “ensino básico” (K-12, em inglês) nos idiomas português e espanhol. Esta definição busca combater a escassez de estudos e discussões globais sobre casos que não sejam referentes nem aos Estados Unidos, nem à Europa. Ao unir parcerias na América Latina, o projeto também pode ajudar a promover o intercâmbio de ideias e recursos entre estes países, sobretudo entre Brasil, o único lusófono, e os demais. Da mesma maneira, a opção pelo ensino básico contraria a tendência observada de se pesquisar apenas REA aplicados ao ensino superior.

Paralelamente, uma outra parte dos integrantes deverá fornecer uma meticulosa descrição e argumentação para a escolha de uma estrutura (framework) leve, de código aberto, baseada na web e de licença aberta, que seria a plataforma do mapeamento de iniciativas de REA em todo o mundo. Há uma outra importante opção a se destacar: a descentralização, ou federalização, em detrimento de um repositório central e unificado.

Fase 2

Após a reunião dos beneficiados, que ocorrerá em Abril, é possível que a Fundação Hewlett ofereça uma nova doação a um ou a alguns dos projetos já contemplados. Ainda que estejam indeterminadas estas informações, a continuidade de ao menos um projeto é esperada, já que todos serão protótipos de sistemas de mapeamento de todas as iniciativas globais em REA.

Neste momento, o foco do grupo será a construção da infra-estrutura definida que permitirá que sejam colhidos e conectados os múltiplos portais e iniciativas através de uma teia abertamente interligada de dados e de valores semânticos.

Por ser federado e descentralizado, o objetivo é permitir aos outros que “roubem este portal”, a fim de que façam a rede de recursos e a redundância dos dados crescerem. Dessa maneira, será permitido aos usuários a criação de coleções off-line para uso local dos REA, dado que a qualidade das conexões de Internet ainda é precária em algumas regiões da América Latina.

Realizadores

Tel Amiel é pesquisador do Núcleo de Informática aplicada à Educação (NIED/Unicamp. É coordenador do grupo de trabalho Educação Aberta, focado em realizar pesquisa e desenvolvimento em torno de configurações emergentes de ensino aprendizado envolvendo ambientes formais e não formais. Possui particular interesse na escola pública de ensino básico e atividades envolvendo novas mídias.

Everton Zanella Alvarenga é diretor executivo da Open Knowledge Brasil e tem participado nos último anos de diversos projetos que envolvem conhecimento livre, desde o desenvolvimento de softwares, até o acesso a recursos educacionais abertos. Trabalhou como consultor para a Wikimedia Foundation coordenando o Programa Wikipédia no Ensino no Brasil e trabalha com a Open Knowledge Foundation desde 2011, quando a sessão brasileira da organização foi proposta. Co-criou o projeto Stoa da Universidade de São Paulo, que visa criar um espaço público para a troca e produção de conhecimentos com foco em educação e ciência, e vem apoiando diversos projetos no contexto do movimento da cultura livre.

Xavier Ochoa é professor de Ciências da Computação na Escuela Superior Politécnica del Litoral (ESPOL), em Guayaquil, Equador. Junto a outros investigadores da região, coordena LACLO, a Comunidade Latino-Americana de Objetos e Tecnologías de Aprendizagem. Nesta comunidade nasceu a Iniciativa Latino-Americana de Livros de Textos Abertos (LATIn). Esta iniciativa busca a utilização de livros de texto de nível universitário, produzidos de maneira colaborativa e aberta por professores da região. Além deste projeto, Xavier participa da direção técnica de vários repositórios de material educativo a nível mundial, como é o caso de LA FLOR, na América Latina; ARIADNE, na Europa; e GLOBE, a federação mundial de repositórios. Seus interesses no campo da investigação estão ao redor de Tecnologias Educativas e, concretamente, em Analítica da Aprendizagem e Informática (medição da ciração e do consumo de informação).

Priscila Gonsales: Fellow Ashoka, máster em Educação, Família e Tecnologia pela Universidade Pontifícia de Salamanca -Espanha, cursou Design Thinking no Centro de Inovação e Criatividade da ESPM-SP, tem pós-graduação em Gestão de Processos Comunicacionais pela ECA-USP e graduação em Jornalismo. Co-fundadora do Instituto Educadigital, atua na área de educação e tecnologia desde 2001. Como pesquisadora do CENPEC, coordenou o Programa EducaRede Brasil, uma iniciativa internacional de uso da Internet na educação presente em 8 países, que abrangia projetos de formação de educadores, comunidades virtuais de aprendizagem entre escolas, e elaboração de materiais didáticos de apoio, eletrônicos e impressos. Coordena o projeto REA.br desde 2011 e é uma das autoras do livro Recursos Educacionais Abertos.

 Texto adaptado de OKNF Brasil, publicado em 17/03/2014.

Presente e Futuro — Planejando os próximos 5 anos do REA.br

A comunidade REA.br promoveu um Hangout no último sábado (15) em comemoração à Semana Mundial da Educação Aberta (Open Education Week). Se você não pode participar ou acompanhar o bate-papo o vídeo já está disponível.



Recursos Educacionais Abertos from REA Brasil

Currículo+: plataforma REA da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo

O Projeto Currículo+ é uma iniciativa integrante do Programa Novas Tecnologias – Novas Possibilidades da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (SEE/SP). A plataforma traz sugestões de conteúdo digital (vídeos, animações, jogos digitais, simuladores, infográficos e áudios) como recurso pedagógico complementar, selecionados segundo o Currículo do Estado de São Paulo.A SEE/SP, a partir de desenvolvimento do projeto Currículo+, foi parceiro na construção da plataforma Escola Digital e no âmbito da estrutura física das plataformas,  o Currículo+ é uma “obra adaptada” da “obra original” Escola Digital  (uma vez que a licença “aberta” da plataforma Escola Digital permite que esta ação seja realizada).

Todos os conteúdos mapeados pela equipe responsável pela seleção e sugestão de conteúdos do Currículo+ são continuamente compartilhados com o Escola Digital, e vice-versa.  Dessa forma, quem ganha são os professores e alunos do Estado de São Paulo e do todo o Brasil.



É importante especificar que dentro da plataforma cada recurso mapeado apresenta uma ficha técnica de cada conteúdo sugerido e traz o tipo de licença da obra (licença “aberta” ou protegida nos termos da lei de Direitos Autorais). É necessário que o usuário fique atento a essas informações para identificar possíveis restrições quanto a ações específicas de uso, mesmo no caso dos conteúdos com licença aberta.

 Navegue: curriculomais.educacao.sp.gov.br 

Lista de ferramentas para criação de livros didáticos abertos

Iniciativa de Ranieri Silva, membro da Comunidade REA, wiki traz ferramentas para a criação de livros abertos. Ele faz um panorama geral entre editor, funcionalidades, ferramentas e tabelas comparativas de funcionalidades.

Entre as ferramentas relatadas estão:

  • Wikilivros: é uma das wikis mantidas pela Fundação Wikimedia e utiliza o mesmo software da Wikimedia, o MediaWiki com algumas extensões (como Quiz‎ e Liquid Threads). O MediaWiki é estável, extensível e conta com uma grande comunidade internacional tanto de usuários como desenvolvedores. Infelizmente não é possível “forkar” um livro da Wikilivros facilmente e a única forma de reportar problemas é pela página de discussão.
  • Connexions: é um projeto desenvolvido por William & Flora Hewlett Foundation, Bill & Melinda Gates Foundation, 20 Million Minds Foundation, Maxfield Foundation, Open Society Foundations e Rice University.
  • Booktype: é um editor online para criação de livros.
  • Fidus Writer: é um editor online voltado para artigos mas que pode ser utilizado para livros também.
  • ShareLateX: é um editor online para LaTeX. O grande problema é a curva de aprendizado do LaTeX e a inexistência de um editor WYSIWYG.

Consulte a página e contribua: pt.wikiversity.org/wiki/Pesquisa:Livros-texto_livres

*O conteúdo deste post está licenciado em CC-BY-SA.

Iniciativa Latinoamericana de Livros Didáticos Abertos

Todo mundo que já passou ou passará pela universidade com certeza enfrentou o alto custo dos livros. Entre as maiores barreiras para o acesso e sucesso nas Instituições de Ensino Superior (IES) da América Latina estão os custos de ser um estudante universitário. Mesmo se não há mensalidade a ser paga, como é o caso da maioria das IES públicas na região, ou através de bolsas de estudos do governo nas IES privadas, outros custos são geralmente negligenciados, especialmente o custo dos livros didáticos, são reais impedimentos para potenciais e atuais estudantes de baixa renda.

No Brasil, o Gpopai (Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas para o Acesso à Informação – USP), realizou em 2008, um estudo sobre o acesso ao livro didático e ao livro técnico-científico no Brasil. O estudo constatou que o custo em 10 diferentes cursos na USP variava entre R$ 3.344,75 e R$ 5.810,46. Para mais de 70% dos estudantes, esse valor era superior à renda mensal de toda a família.

O Projeto Latin pretende resolver o problema do alto custo dos livros didáticos para o Ensino Superior na América Latina. As principais ações serão a criação e disseminação de uma Iniciativa de Livros Didáticos Abertos e Colaborativos para Ensino Superior adaptados especificamente para a região.

Essa iniciativa vai encorajar e dar apoio aos professores e autores locais a contribuir com partes ou capítulos individuais que poderiam ser reunidas em livros personalizados por toda comunidade. Os livros criados serão gratuitamente distribuídos para os estudantes em um formato eletrônico ou poderiam ser legalmente impressos a um baixo custo porque não haverá licença ou taxas a serem pagas para a sua distribuição. Essa solução também irá contribuir para criação de livros didáticos personalizados aonde cada professor poderá selecionar as seções apropriadas para seus cursos ou poderia adaptar livremente as seções existentes a suas necessidades. Além disso, os professores locais serão a fonte de conhecimento, contextualizado ao sistema de das Instituições de Ensino Superior da América Latina.

Professores e autores acadêmicos serão os principais usuários da solução proposta, no entanto os estudantes de baixa renda serão os principais beneficiários dos livros didáticos produzidos pela iniciativa disponíveis gratuitamente. Durante a implementação piloto da iniciativa que é uma das ações propostas deste projeto, espera-se que a solução ajudará 144 cursos em 9 universidades diferentes, com o total da população beneficiada de mais de 4500 estudantes em 6 meses. Os livros didáticos criados permaneceram livremente disponíveis para reuso, tradução, adaptação e edição.

São membros do projeto a Escuela Superior Politécnica del Litoral (ESPOL) – Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM) – Universidad de la República (UDELAR) – Universidad Nacional de Rosario (UNR) – Universidad Autónoma de Aguascalientes (UAA) – Universidad Central de Venezuela (UCV) – Universidad Católica San Pablo (UCSP) – Universidad del Cauca (UNICAUCA).

Saiba mais: www.latinproject.org