Em debate, especialistas acreditam que professores poderiam disponibilizar mais conteúdos online

*Texto de Desirèe Luíse do Portal Net Educação

“A maioria das pessoas ainda não se enxerga como produtoras de conteúdo”, acredita a gestora de comunicação do projeto REA Br, Débora Sebriam. Para ela e outros especialistas da área de recursos educacionais abertos (REA) — materiais de ensino, aprendizado e pesquisa em qualquer suporte ou mídia que estão sob domínio público ou são licenciados de maneira aberta —, qualquer pessoa pode construir e publicar coisas na internet que contribuam para o ensino e aprendizagem.

Produzir conteúdo e disponibilizar de graça na internet pode configurar uma atividade em direção ao REA. “Às vezes você já faz isso e não sabe que tem um nome”, apontou o pesquisador do Núcleo de Informática Aplicada a Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Tel Amiel. A mestre em ciência da computação pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Salete Almeida, disse ter percebido, por meio de uma pesquisa que fez no estado, que para os professores, o REA é ainda algo muito obscuro. “E mesmo depois de saber do que se trata, há resistência em disponibilizar conteúdos na internet”, contou.

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Novas plataformas educacionais potencializam ideias

Texto do Prof. Ewout ter Haar do Instituto de Física da USP (IFUSP), membro do Centro de Ensino e Pesquisa Aplicada (CEPA) e  coordenador do Grupo de Apoio Técnico-pedagógico da USP.


Publicado no Estadão

Desde que Sócrates duvidou da palavra escrita para ensinar os jovens, o uso de tecnologias novas para a educação é questionado. Você questiona as palavras escritas, ele observou, e elas não respondem. Segundo Sócrates, o jeito correto de usar palavras é plantá-las na mente fértil de um aprendiz, deixando crescer conhecimento e ideias. A humanidade aprendeu a aproveitar a tecnologia da palavra escrita para fazer justamente isso. Mas nunca vamos parar de debater como adaptar qualquer nova tecnologia para, por um lado, disseminar e transmitir ideias, e, por outro, usá-la para construir o conhecimento.

Essa antiga oposição entre transmissão e construção de conhecimento é especialmente relevante para o uso de tecnologia em ambientes educacionais. Hoje, discutindo tecnologia educacional, geralmente falamos do uso da internet e das suas aplicações. O sucesso da internet se deve ao seu caráter aberto e neutro: ser uma plataforma livre, onde cada um pode criar suas inovações sem pedir permissão a algum órgão central que controlaria o que pode e o que não pode ser feito. Essa característica da infraestrutura é essencial para uma universidade como a USP, que depende da excelência e da autonomia de suas unidades, grupos de pesquisa e professores.

As plataformas educacionais novas, quando implementadas de forma aberta e neutra, potencializam o talento e as ideias. Com essas plataformas, não existe oposição entre transmissão e construção de conhecimento. A web, em particular, consegue combinar em uma única plataforma as funcionalidades de comunicação e disseminação de informação e a construção de ambientes colaborativos e participativos. A web permite a todos os membros da comunidade USP divulgar seus conhecimentos além dos muros da universidade, transmitindo bits sem as limitações do transporte de átomos. E essa mesma infraestrutura pode ser usada para implementar os processos colaborativos próprios à construção do conhecimento, sem as limitações da distância física.

Na USP, a internet está sendo usada para apoiar uma enorme variedade de atividades educacionais. A universidade mantém ambientes online com recursos didáticos de altíssima qualidade e feitos por equipes profissionais e especializadas em ensino a distância. E essa mesma infraestrutura dá suporte às ideias pedagógicas de milhares de professores e dezenas de milhares de alunos, cada um com ideias próprias sobre o que é uma boa aula.

Vejo um futuro brilhante para tecnologias que ajudam os professores a implementar suas ideias pedagógicas. Que permite inovação, mas deixe transparente o que funcionou e o que não funcionou. Para tecnologias que podem ser adaptadas ao contexto e às necessidades dos educadores e alunos, em todas as suas variedades. A USP depende do talento e do trabalho dos seus alunos, funcionários e docentes. Serão as tecnologias educacionais abertas e neutras, usando a internet ou inspirada nela, que vão potencializar esse talento.

Livro Didático Aberto para Educação de Jovens e Adultos (EJA)

Está no ar o site do livro “Aprender para Contar: alfabetização de pessoas jovens e adultas”, de autoria de Bianca Santana, membro da comunidade brasileira de recursos educacionais.

“A educadora ou educador que agora pega este material também tem sua história com a EJA, suas experiências, pesquisas, leituras e vínculos afetivos. E essa riqueza, presente em cada alfabetizadora ou alfabetizador, permite adequar este livro às diferentes realidades e melhorá-lo cada vez mais. Apresentamos aqui um ponto de partida que certamente será ampliado com outras referências, ou reduzido em algumas situações, de acordo com as necessidades de cada turma. Este livro, portanto, é de todos nós. E ele está aberto, na internet, para ser melhorado, remixado e compartilhado livremente.”

O livro está dividido em três momentos: Estudo da Língua, Estudo da Matemática e Alfabetização Digital. Na versão online, é possível baixar o livro na íntegra ou consultar partes deles divididas em seções: Galeria de Textos, Galeria de Imagens, Temas, Atividades, Propostas de Conversa e Histórias de Vida.

 Copie, melhore, remixe e compartilhe: acesse aqui.

Lançamento do Livro Recursos Educacionais Abertos no Brasil

o Estado da Arte, Desafios e Perspectivas para o Desenvolvimento e Inovação


Será lançado no próximo dia 20/12, na sede do CETIC.BR (Centro de Estudos sobre a Sociedade da Informação), o livro o Estado da Arte dos Recursos Educacionais Abertos (REA) no Brasil. A tradução dessa obra para a língua portuguesa tem o objetivo de contribuir para registrar parte da história do desenvolvimento dos REA no Brasil, e também o de ajudar a consolidar a importância do tema no país, permitindo uma maior compreensão da trajetória dos REA no contexto nacional e a disseminação e discussão de alguns conceitos e práticas da área encontrados nas iniciativas apresentadas.

O livro faz distinção entre repositórios de conteúdos digitais disponíveis na rede e gratuitos e os REA. Isso porque, de maneira quase que geral, a comunidade internacional envolvida com os REA entende que nem todo conteúdo educacional disponibilizado na rede é um REA. De acordo com a definição de REA adotada pela UNESCO, o recurso educacional precisa possuir uma licença de utilização que permita ao usuário certas práticas de uso sem o infringimento dos direitos autorais, como a cópia, o compartilhamento, a modificação e a sua distribuição, dependendo do tipo de licença escolhida pelo autor desse recurso. São também consideradas REA as obras que estão em domínio público, o que no Brasil ocorre 70 anos após o falecimento do autor.

O livro foi originalmente publicado em dezembro de 2011 pela UNESCO em Moscou, mas a tradução agora é publicada com uma licença aberta e está disponível para download em: http://goo.gl/rSCLfp.

Escola Digital facilita a busca por Recursos Educacionais

Escola Digital é uma plataforma gratuita e aberta de busca que já conta com mais de 1,5 mil objetos e recursos digitais voltados a apoiar processos de ensino e aprendizagem dentro e fora da sala de aula. O site foi criado com o objetivo de facilitar o acesso de educadores, escolas e redes de ensino a materiais educativos de base tecnológica, de forma a enriquecer e dinamizar as práticas pedagógicas.

A plataforma é uma iniciativa do Instituto Inspirare e do Instituto Natura, construída com a colaboração do Instituto Educadigital, da TIC Educa e da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo. O projeto teve início com um vasto mapeamento, que envolveu entrevistas com educadores, empreendedores e especialistas, pesquisa online e uma chamada pública nacional. O processo foi intensificado com a colaboração de professores da rede estadual de São Paulo especialistas em currículo.

A Escola Digital funciona como um buscador de recursos digitais já existentes criados por produtores de conteúdo, o grande diferencial da plataforma é oferecer, de forma mais intuitiva, a busca pelos recursos que podem ser utilizados como ferramenta pedagógica. Além das categorizações habituais como disciplina, série, temas curriculares e também pelo tipo de mídia: vídeos, áudios, softwares etc, é possível refinar a pesquisa por disponibilidade, licenças de uso, acessibilidade, idioma, recursos pagos e gratuitos.

O projeto foi concebido como um recurso educacional aberto (REA) e pode ser utilizado, reproduzido ou mesmo adaptado por qualquer pessoa ou organização interessada.

O site também indica recursos digitais capazes de apoiar a criação de novos objetos de aprendizagem, o trabalho com temas transversais e a realização de projetos na comunidade, entre outras possibilidades educativas.

A plataforma deve continuar ampliando o seu acervo, por meio da contribuição dos próprios usuários, que poderão enviar sugestões de objetos, preenchendo um formulário disponível no site.

Navegue e colabore com a aumento do acervo: http://escoladigital.org.br/